|
A BENGALA COMO SÍMBOLO E AUXILIAR Quem Somos?
A Deficiência Visual
Já na Antiguidade as pessoas cegas usavam a bengala como auxiliar de orientação e como apoio, tornando-se uma espécie de braço prolongado do deficiente visual. Quando o trânsito de veículos começou a constituir um perigo para os cegos, a bengala teve de se transformar num sinal:
Cuidado! Vem aí alguém que não te vê!»
E para que o cego pudesse ser notado a tempo, era preciso tornar a bengala mais visível: passou a branca. Quem teve essa idéia de longo alcance foi a Condessa Guilly Herbemont, que em 1931 perante entidades públicas em Paris presenteou pessoas cegas com 100 bengalas brancas. A bengala branca transformou-se no distintivo dos cegos, não tardando a assumir a função de sinal de trânsito para maior segurança dos pedestres.
Do bastão à bengala comprida. O bastão não passou ainda totalmente de moda, uma vez que as pessoas idosas precisam dele, para se apoiarem enquanto caminham. Também a bengala branca curta ainda tem amigos entre os cegos e os grandes deficientes visuais, mas em geral só se tira do bolso em situações críticas ou como distintivo.
O verdadeiro auxiliar da mobilidade é a bengala branca comprida. O seu comprimento depende da altura do utilizador: posicionada verticalmente, no chão, deve atingir aproximadamente pelo esterno. Durante a marcha é segura inclinada para baixo à frente do corpo, a fim de tatear o caminho. Movimentando-a como um pêndulo para a esquerda e para a
direita o seu utilizador dá sempre o passo seguinte com segurança.
No entanto, caminhando como um detetor de obstáculos» tem de ser bem aprendida e treinada. Há quase 40 anos que os cegos e amblíopes freqüentam aulas de orientação e mobilidade, ministradas por associações por técnicos de reabilitação com formação específica patrocinadas pelas associações.
Nem só a bengala facilita a mobilidade.
O grau de autonomia que a pessoa cega ou amblíope precisa adquirir, bem como as suas capacidades e aptidões pessoais, determinam o programa do curso. Assim, enquanto a um sujeito basta orientar-se dentro da própria casa, outro tem de usar a bengala para ir às compras ou para atravessar cruzamentos movimentados em grandes cidades. Em
todos estes casos é importante manusear a bengala de harmonia com a situação e com segurança. Se o reabilitando não possuir conhecimentos prévios suficientes sobre a arquitetura da cidade e a estrutura do trânsito, eles têm de lhe ser transmitidos, pois só assim chegará a uma mobilidade confiante e eficiente com atitudes adequadas.
Para que este objetivo seja atingido, o ensino é sempre individual. Comporta em regra cerca de 100 aulas. Fatores como a idade, a experiência prévia, o tipo da deficiência (cegueira congênita ou tardia, total ou baixa visão), a necessidade, a constituição psíquica e física, as atividades profissionais e muitas outros podem alterar o número de aulas para mais ou para menos. A par das diversas técnicas de bengala são ensinados requisitos básicos para a mobilidade, a saber: percepção do corpo, noção de tempo, concepção espacial (elaboração de um «mapa mental»), bem como o relacionamento com os demais transeuntes, designadamente como pedir informações.
Quando falta o sentido da visão, urge estimular de forma especial os outros sentidos, pois mesmo sem a possibilidade de ver, tem de ser percebido e corretamente interpretado o maior número possível de informações do ambiente circundante a fim de a partir daí, ser estudado o modo como o cego ou deficiente visual deve agir enquanto transeunte, de acordo com a situação.
Bengala e concentração. Ao atravessar uma rua, por exemplo, as pessoas cegas e de visão reduzida têm de se concentrar imenso para poderem perceber e avaliar a situação do trânsito através dos sons.
Ruídos diversos vindos de várias direções e transeuntes «silenciosos» como ciclistas e «skaters» tornam-lhes ainda mais difícil adquirir a necessária segurança para atravessar a faixa de rodagem.
Muitos deficientes visuais assinalam esta fase da espera puxando a bengala para si ou colocando-à direita à sua frente.
A introdução de semáforos sonoros deverá facilitar muito a travessia das ruas: o cego pode reconhecer com precisão e clareza quando está verde para os pedestres. Na ausência destes semáforos ele é forçado a deduzir essa informação com base no fluir do trânsito. Mesmo quando guiado pelo seu cão tem de lhe dar sinal para atravessar, pois os cães
são cegos a cores e, portanto não reconhecem o sinal verde.
Artigo publicado In «Die Gegenwart» -nº 9 – 2001-Suplemento da revista «Die Gegenwart» nº 9 – 2001-Edição: Associação Alemã de Cegos e Amblíopes
Nota: Contribuição da ABRASPE-SP |